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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ELES QUEREM FALAR DE SEXO




Crianças e adolescentes estão descobrindo a sexualidade e os limites do próprio corpo. Veja aqui como ajudá-los a enfrentar essa fase tão importante da vida sem mitos nem atropelos (tanto em casa como na escola) wrAutor ('Paola Gentile','','')




''Professora, por que a minha xereca pisca quando vejo um homem e uma mulher se beijando na televisão?''
A pergunta, feita por uma aluna de 8 anos para a orientadora educacional Dilma Lucy de Freitas durante uma aula para a 3ª série de uma escola particular de Florianópolis, poderia provocar diversas reações na professora. Se ela mostrasse espanto e indignação, por exemplo, as crianças deduziriam que sentir essas coisas deve ser anormal. Se fingisse não ter escutado, os pequenos achariam que é melhor não falar sobre o corpo (e, mais tarde, sobre a sexualidade). Dilma respondeu que o corpo recebe estímulos: um cheiro gostoso de comida faz a gente sentir vontade de comer e um vento frio faz a pele se arrepiar. Do mesmo modo, algumas imagens (como o casal que se beija) estimulam os órgãos sexuais e por isso a vagina se contrai ("pisca"). A aluna, satisfeita com a informação, foi brincar. Desde bebês, sentimos prazer em tocar o próprio corpo e descobrir as diferentes sensações que ele nos proporciona. Fingir que as crianças não passam por esse processo é negar a realidade. O sexo é parte da vida das pessoas (aliás, uma parte importante e muito boa) e é por essa razão que a escola e a família devem ajudar a construir nos pequenos uma visão sem mitos nem preconceitos. "Esse é um tema que envolve sentimentos e desejos e, portanto, não pode ser abordado só com explicações sobre o funcionamento do aparelho reprodutor e palestras médicas. A orientação sexual deve ser feita com afeto", afirma Antonio Carlos Egypto, psicólogo e coordenador do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS), em São Paulo. O constrangimento dos pais em tratar do assunto aumenta a falta de informação dos jovens e faz com que a escola se torne o principal espaço de educação sexual (vale lembrar que a orientação sexual é um dos temas transversais previstos nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN). Nesta reportagem, você vai encontrar histórias como a de Dilma - que ocorrem diariamente nas salas de aula do país - e saber como lidar com essas inquietações das crianças. Nos quadros que acompanham cada caso, a educadora sexual Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan, em São Paulo, sugere algumas boas práticas para adotar em casa e na escola. São dicas preciosas para todos os professores - de qualquer área do conhecimento - trabalharem com os estudantes no dia-a-dia e também para pais e mães interessados na boa formação de seus filhos. Se a escola tiver um programa de educação sexual, vale a pena conversar com os familiares sobre ele. Veja também a melhor postura em aulas sobre sexualidade e como dar orientação sexual para alunos com deficiência.


Para não quebrar o clima

Carole Henaff


As aulas sobre sexualidade são marcantes para os jovens, pois nelas eles aprendem a conhecer seus desejos, necessidades e afetos (e a lidar com eles). Sua postura ao tratar do assunto é muito importante. Por isso, os especialistas recomendam prestar atenção nos seguintes detalhes: Qualquer dúvida, por mais simples que pareça, é relevante e pertinente. Ouvir, mais do que falar, é a melhor conduta. Estimule o debate e deixe os estudantes tirarem as próprias conclusões. Caso alguém pergunte, sua opinião sobre o tema deve ser dada no final da discussão. Apresente informações científicas sempre que necessário, sem emitir juízos. Para não expor ninguém, o ideal é levantar dúvidas sem personalizar (os estudantes encaminham as questões por escrito ou produzem cartazes em que todos escrevem o que já sabem sobre determinado assunto). Perguntas sobre a conduta pessoal dos alunos são constrangedoras, pois pode parecer que você quer policiar as atitudes deles. Mantenha a discussão genérica, sem se intrometer na intimidade da garotada. Jogos e dinâmicas (além de discussões em pequenos grupos) favorecem a participação dos mais tímidos.Faça um "contrato" com a turma para garantir que tudo o que for discutido não será usado em comentários maldosos nos corredores nem para julgar os colegas. O respeito é o caminho para o bom aprendizado.


Homossexualidade

A chave é o respeito

Carole Henaff


O fato de um garoto apresentar trejeitos femininos ou uma garota gostar de carrinhos não significa que eles se tornarão homossexuais. Do mesmo modo, o menino que joga bola e a menina que brinca de boneca não necessariamente serão heterossexuais no futuro. Essa característica se define por volta dos 14 ou 15 anos, quando o jovem passa a se interessar sexualmente por outra pessoa. Juny Kraiczyk, psicóloga do Ecos Comunicação em Sexualidade, em São Paulo, diz que o papel do educador diante de manifestações contra a suposta homossexualidade de um estudante é discutir o respeito às diferenças e garantir a integridade física e moral dos jovens. Em parceria com a organização não- governamental Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor (Corsa), em São Paulo, o Ecos desenvolveu um curso de capacitação para prevenir a homofobia em 31 escolas da zona oeste de São Paulo. A professora de Artes Neide Aparecida Mackert fez o curso e, graças ao que aprendeu, conseguiu contornar uma situação difícil na Escola Estadual Marquês Visconde de Tamandaré, em São Paulo. Em sua turma de 2º ano do Ensino Médio, no ano passado, um garoto com voz mais fina, que tinha um estilo descolado de se vestir, era alvo de piadinhas maldosas. Num debate sobre homossexualidade, dois alunos não conseguiram ficar nos argumentos biológicos, psicológicos, sociais ou culturais e insinuaram com ironia que havia um gay na classe. Neide perguntou se era possível garantir, apenas pelas aparências, se uma pessoa é ou não homossexual. Todos entraram na discussão e foi possível falar de homofobia e estereótipos. Neide ensinou duas lições: a necessidade de respeitar as diferenças e de refletir sobre como sofre quem não tem o comportamento-padrão imposto pela sociedade. Na escola não seja cúmplice dos alunos nos comentários preconceituosos. Acolha e fortaleça os jovens que se isolam do grupo por ter comportamento diferente do padrão, elogiando seu trabalho sempre que possível. Promova um debate franco sobre a necessidade de respeitar as diferenças. Em casa se a maneira de seu filho se comportar foge aos padrões estabelecidos e isso incomoda você, deixe claro quais são os valores masculinos e femininos aceitos pela sociedade. Não se sinta desrespeitado se seu filho for homossexual. Quanto mais cedo ele for acolhido (se for o caso, também com a ajuda de uma terapia), menos problemas de auto-aceitação terá.


Masturbação

A descoberta do corpo erótico

Carole Henaff


A turma de 6ª série de Simone dos Santos Araújo, da Escola Estadual Professor Caran Apparecido Gonçalves, em São Paulo, estava entretida numa lição sobre répteis. Mas uma aluna estava incomodada. - Professora, os meninos da última fila estão agitados, fazendo uns barulhos... Sem se desviar do tema da aula, ela andou pela sala e percebeu dois garotos se masturbando. Ao se aproximar, eles tentaram disfarçar. Ela apoiou-se na carteira de um deles e comentou baixinho:- Sei que o que estão fazendo é gostoso, mas aqui não é o lugar adequado. Vocês não estão prestando atenção na aula e estão atrapalhando os colegas. Tudo bem parar agora?- Xi, professora, foi mau! Nunca mais os dois repetiram o comportamento na escola. E, algum tempo depois, ela conversou com a turma para resolver dúvidas sobre masturbação. Descobrir o corpo e como ele pode dar prazer (o corpo erótico) faz parte do desenvolvimento da criança. Ao perceber a sensação gostosa que o toque provoca, ela vai querer repetir o ato. Uma conversa como a de Simone - discreta, sem expor ou humilhar ninguém - ajuda a definir o limite entre o privado e o público, sem julgar o ato em si. Na maioria dos casos, o aluno ou a aluna se masturba por prazer, o que é absolutamente normal. Mas masturbar-se em público, obviamente, não é aceitável. Se isso se repetir com algum estudante, o ideal é conversar com a coordenação ou a orientação pedagógica para avaliar se é o caso de chamar os pais. "Proibir é lutar contra a natureza: o jovem vai masturbar-se escondido e acabar se sentindo culpado por não corresponder às expectativas dos adultos", afirma a consultora Maria Helena Vilela. Simone, de São Paulo, resolve as dúvidas dos alunos sobre masturbacão mostrando esquema do corpo feminino: questões dentro de uma bexiga, para não expor ninguém. Na escola se uma criança se masturbar na sala de aula, chame-a para outra atividade. Mais tarde, diga a ela que tocar nos órgãos sexuais é gostoso, mas não deve ser feito na frente dos outros. Caso o ato se repita depois de várias conversas, investigue as possíveis causas (micose, que provoca coceira, ou outro problema que a criança possa estar enfrentando).Em casaExplique a diferença entre o privado (aceitável quando se está sozinho) e o público (aceitável no convívio com outras pessoas). Caso a criança esteja se masturbando no quarto ou no banheiro, sem chamar a atenção de ninguém nem se expondo, não interfira. Se seu filho estiver se tocando na frente de outras pessoas, desvie a atenção dele para outra coisa e depois converse com ele a sós.


Meu corpo

Será que ele é igual a mim?

Carole Henaff


Quando pequenos, meninos e meninas começam a descobrir as características do próprio corpo. Por que os garotos têm "pipi" e as meninas, "xoxota"? E eles investigam mesmo. O coordenador pedagógico Marcelo Cunha Bueno, da Escola Estilo de Aprender, em São Paulo, afirma que a curiosidade é tanta que os pequenos se escondem debaixo das mesas ou procuram respostas ali mesmo, no meio da sala de aula. Uma vez ele viu dois garotos de 4 anos com as calças abaixadas conferindo se ambos tinham "pipi". Ele pediu que os dois se vestissem e fossem brincar no pátio. E explicou que é legal querer conhecer o corpo do outro, mas que aquela era hora de estudar. Por volta dos 2 ou 3 anos, depois que a criança já aprendeu a andar e a falar, a curiosidade (inclusive a sexual) vem à tona. É normal que, além de ver, ela queira tocar. Essa brincadeira não traz nenhum prejuízo físico ou psicológico. Não há erotização nesse contato e ele não deve ser interpretado como desvio de comportamento.Na escola a conversa sobre o que pode e o que não pode ser feito em público é sempre bem-vinda. Mostre figuras ou modelos do corpo humano e apresente o nome correto dos órgãos sexuais. Em casa se você não se incomodar em ver seu filho e outra criança da mesma idade nessa situação, deixe-os esgotarem a curiosidade. Logo eles partirão para outra brincadeira. Se não concordar, diga a eles que isso o incomoda e explique por quê.


Parceria de sucesso

Carole Henaff


As escolas com programas de educação sexual costumam comunicar os pais sobre a iniciativa antes de iniciar as aulas.Geralmente a idéia é bem acolhida. Mas muitas famílias temem que as conversas levem a uma iniciação precoce da vida sexual do adolescente, o que (obviamente) não é o objetivo do colégio. Por isso, nas conversas com os familiares, cabe aos professores:Mostrar que a educação sexual está prevista nos PCN e faz parte do projeto pedagógico. Enfatizar que o papel da escola é passar informações científicas e propiciar o debate de temas pertinentes à idade de cada turma, tentando com isso aplacar as angústias dos adolescentes em relação ao tema. Explicar que o objetivo maior é fazer com que os jovens tenham uma vida saudável e entendam o que acontece com eles quando os hormônios estão em ebulição. Deixar claro que os valores morais e religiosos da família não serão questionados em nenhum momento. Convidar os pais, sempre que possível, a participar de um bate-papo em sala de aula com os estudantes (eles podem contar como lidavam com a sexualidade quando eram adolescentes e, diante de um grupo grande de jovens, sem a pressão de estar "a sós" com o filho, ouvir os dilemas da moçada de hoje). Proporcionar atividades paralelas aos alunos cujos pais se oponham à participação do filho nas atividades de educação sexual.


Enfrentando os adultos

Em busca de mais informação

Carole Henaff


Rosa Cristina Albuquerque Pires, professora de Ciências da Escola Estadual de Educação Básica Irineu Bornhausen, em Florianópolis, tem o hábito de passar um paninho na mesa e na cadeira antes de começar suas aulas. Um dia, ao entrar na sala da 5a série, viu um pênis desenhado em sua cadeira. Mesmo assim, sem nada comentar, sentou-se. Foi o suficiente para os meninos começarem a gemer e a assobiar. Ela perguntou:- Vocês estão passando mal?- Não, professora! É que a senhora sentou...- Sentei onde?- No bilau... (gritos e gargalhadas)- Bilau rima com carnaval! (risos envergonhados). E depois, não sentei num pênis, mas em uma representação dele. Graças à experiência adquirida no contato com os adolescentes (e à capacitação oferecida pela Universidade Estadual de Santa Catarina), Rosa sabe que eles querem resolver alguma dúvida quando começam com essas gracinhas e supostas "provocações". Por isso, ela não hesita em mudar o programa. Pára a aula e verifica as necessidades da turma. "É o que chamo de educação sexual que não só informa mas também entende as angústias dessa fase da vida ." Naquele dia, a conversa, é claro, foi sobre relações sexuais: quando ter a primeira, se a menina pode transar menstruada etc. Todos escreveram suas questões num pedaço de papel, sem assinar, ou em um cartaz (assim, ninguém se expõe de forma desnecessária). O consultor Antonio Carlos Egypto destaca que muitas vezes o jovem age dessa maneira para mostrar ao grupo que consegue lidar com a sexualidade - o que raramente é verdade. Em outras palavras, ele quer descobrir se o adulto está ali para policiá-lo. "Se a classe perceber que o professor não tem jogo de cintura, fatalmente vai afrontá-lo." Tudo isso porque a moçada quer informação. No quadro-negro, os termos vulgares e os corretos para nomear os órgãos sexuais; nos cartazes, as dúvidas dos estudantes sobre sexualidade: assim, Rosa, de Florianópolis, consegue driblar as supostas provocacões da turma e, ao mesmo tempo, ensinar: "É uma educação que entende as angústias dos adolescentes"Na escolaAproveite as "provocações" para iniciar uma conversa sobre sexualidade. Não leve comentários dos alunos para o lado pessoal nem se sinta agredido por eles.Se alguns estudantes quiserem mostrar que conhecem "muuuuito" sobre sexo, tente outra abordagem: pergunte como os jovens agem hoje e conte como era na sua época. Entre um comentário e outro, você perceberá brechas para intervir com as informações necessárias. Em casa seu filho não age assim para agredir. Ele quer saber mais sobre o tema (ou conhecer a posição dos pais). Ouvir o jovem é a única maneira de identificar a razão do enfrentamento.

Gravidez e aids

O futuro em suas mãos

Carole Henaff


Carole Henaff


"O que eu vou ser quando crescer? Como será minha vida daqui a alguns anos?" Procurar respostas para perguntas como essas é uma maneira de os jovens se sensibilizarem sobre a importância de prevenir uma gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis, como a aids. Os adolescentes que se arriscam a ter um filho sem planejamento ou a contrair doenças graves geralmente não conseguem perceber que cuidar de si mesmo é o melhor jeito de evitar perdas no futuro. Em 1999, 27% dos partos realizados na Santa Casa de Ourinhos (SP) foram de mães adolescentes. No ano seguinte, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação iniciou o programa Prevenção Também se Ensina. Em 2005, a incidência de gravidez entre menores de 16 anos caiu quase à metade, baixando para17% os partos de mães adolescentes. A Escola Estadual Ari Correa é uma das que participam da capacitação. O professor de Ciências Ademar Francisco da Silva faz dinâmicas para debater os problemas de uma gravidez indesejada e as doenças causadas pelo sexo sem preservativos. Ele também leva para as salas de 7a e 8a séries camisinhas masculinas e femininas, cartelas de pílulas, pílulas do dia seguinte e DIU. Tudo para ensinar os jovens a usá-los corretamente. Dinâmica do farol feita por Ademar, de Ourinhos, para debater gravidez precoce com alunos de 7ª e 8ª séries: o que é perigoso, o que merece atenção e o que é permitido. Na escola Abra espaço para que todos pensem no futuro e projetem sua vida para daqui a cinco ou dez anos. Fale sobre métodos contraceptivos e como devem ser usados. Destaque a importância de prevenir a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis. Caso uma adolescente engravide, acolha-a para que ela não abandone a escola. Oriente a aluna grávida a procurar o serviço de saúde e mostre a importância dos exames pré-natais. E lembre que, durante a licença-maternidade, ela tem o direito de fazer as provas em casa. Em casa Conversar é sempre o melhor jeito de explicar a seu filho a importância de ser bem informado em questões de sexualidade. Admitir a sexualidade do filho e saber que ele está pensando em sexo já é um bom caminho. Negar isso é fechar as portas para o diálogo. Acolha sua filha se ela engravidar. Certamente ela vai ter muito mais dificuldades de lidar com um bebê sem o seu apoio.


Imitando adultos

Quero ser grande

Carole Henaff


Um ardente beijo na boca. Um casal deitado na cama trocando carícias sob o lençol. Corpos nus rebolando. Na televisão, imagens como essas são comuns. E as crianças pequenas são expostas a elas sem saber o que significam. O resultado é que elas acabam querendo imitar esses comportamentos. A professora da 1a série Ruth das Chagas Neves, da Unidade Integrada José Augusto Mochéu, em São Luís, enfrenta situações desse tipo diariamente. Para satisfazer a curiosidade da turma e iniciar um trabalho de educação sexual, ela leva para a classe bonecos sexuados que ajudam a mostrar as diferenças entre o corpo do homem e da mulher (os bonecos maiores, Gertrude e Gervásio, têm os órgãos sexuais móveis). Vários colegas de Ruth foram capacitados pela Plan Brasil e pelo GTPOS e hoje a escola mantém um trabalho permanente sobre sexualidade. Experiências de imitar os adultos podem levar a descobertas quando feitas em clima de brincadeira. Mas atenção: se a criança mostrar agressividade ou medo no contato físico, ela pode estar sendo vítima de abuso sexual. Mostre-se aberto a escutá-la para ter mais informações e procure a coordenação pedagógica ou a direção caso seja necessário. Alunos da professora Ruth, de São Luís, fazem os prórprios bonecos, inspirados na Família Colchete (ao fundo): brincadeira para entender o comportamento dos adultos e aprender sobre o corpo humano. Na escola Procure saber onde os pequenos viram o comportamento que estão imitando e o que eles sabem a respeito. Trate a imitação como uma atitude normal para a idade e aproveite para falar sobre sexualidade. Se a criança mostrar-se muito erotizada, chame os pais para tentar entender os motivos dessas atitudes. Em casa Preste atenção nas brincadeiras de seu filho e, caso ele esteja imitando comportamentos adultos, descubra onde ele presenciou aquilo. Verifique se os programas de TV que ele vê são adequados para a idade. Se os valores passados por determinado programa não forem os mesmos da família, assista junto com ele e explique por que tais comportamentos são reprováveis.


Hormônios em ebulição

Carinhos sem ter fim

Carole Henaff


No Colégio I. L. Peretz, em São Paulo, o namoro entre os alunos é visto como normal e saudável. Contudo, no ano passado, o romance entre uma garota da 7ª série e um menino do 1o ano do Ensino Médio mexeu com a escola. O jovem casal costumava procurar cantos isolados para trocar carícias tão calorosas que uma turma de 5ª série fazia fila para assistir. Na primeira conversa com a orientação pedagógica, os dois ouviram que não deveriam se esconder. A esperança era de que, em público, a atitude mudaria. Não foi o que ocorreu. Ao contrário, os amassos passaram para o pátio, a porta da escola, os corredores - e pais, alunos e funcionários ficaram incomodados com a situação."Os jovens estavam testando os limites", lembra o orientador educacional Bruno Weinberg. "Por isso, tivemos de deixar claro até onde eles poderiam ir." Sem partir para a repressão ou a proibição, ele explicou que as intimidades entre namorados são normais, mas que a escola não é lugar para isso. Para Maria Helena Vilela, o que faz o adolescente agir assim são as mensagens dúbias que ele recebe (seja da mídia e dos amigos, seja da família ou da escola). Por isso, o melhor é mesmo conversar e estabelecer o que os jovens podem fazer, onde e como. No Colégio Peretz, em São Paulo, os estudantes podem namorar, desde que respeitem algumas regras claras: limites definidos sem repressão nem proibição Na escola Discuta as regras com todos os professores e funcionários para que as mensagens sobre limites sejam coerentes. Deixe claro para os alunos o que é permitido e o que é proibido, explicando os motivos. Em casa Analise o que você suporta ou não dentro de casa. É direito dos pais controlar o comportamento dos filhos. Tenha disponibilidade para ouvir seu filho e construir as regras com ele.


A importância da inclusão

Carole Henaff


Pessoas com deficiências físicas, mentais ou sensoriais manifestam sua sexualidade tanto quanto os demais. O problema é que muitos os consideram "anormais" e, portanto, vêem essas atitudes também como anomalias, segundo o pesquisador Hugues Ribeiro, do Departamento de Educação Especial da Universidade Estadual Paulista em Marília (SP). Ele recomenda tratamento igual para todos, com abordagem adaptada ao tipo de deficiência do aluno.Com alunos com deficiência mental, é preciso tornar as informações mais acessíveis e repeti-las várias vezes usando linguagem simples, material concreto ou exemplos. Caso um aluno insista em passar a mão nos colegas, por exemplo, fale que isso não pode ser feito sem a concordância da outra pessoa e que existem situações em que o toque é permitido e outras em que não. Para facilitar a compreensão, mostre gravuras de cenas do cotidiano e pergunte em quais tocar é permitido. No consultório, o médico pode examinar o paciente? E no ônibus, um passageiro pode passar a mão nos outros? Entre dois namorados isso é aceitável? E com os colegas da escola?Geralmente quem tem deficiência física apresenta auto-estima corporal baixa por não se enquadrar no "padrão de beleza". Falar do corpo, para eles, costuma ser difícil. Ajude- os contando histórias de pessoas com deficiência que se realizaram pessoal e profissionalmente. E adapte as atividades de sala de aula para incluí-los.Alunos com deficiência visual precisam de material concreto para manipular, como modelos dos órgãos sexuais e esquemas em alto-relevo. Já quem tem deficiência auditiva nem sempre consegue explicar suas dúvidas para o educador, que muitas vezes tem dificuldade para transmitir as informações a eles. A solução é usar muitas figuras, diagramas e esquemas para facilitar a visualização e a assimilação dos conteúdos.


Quer saber mais?


Dilma Lucy de Freitas, dlfreitas@terra.com.br
BibliografiaAdolescência: O Despertar do Sexo, Içami Tiba, 216 págs., Ed. Gente, tel. (11) 3670-2500, 28,90 reaisA Educação Sexual da Criança, Cesar Nunes e Edna Silva, 144 págs., Ed. Autores Associados, tel. (19) 3289-5930, 16 reaisO Anjo e a Fera: Sexualidade, Deficiência Mental, Instituição, Alain Giami, 203 págs., Ed. Casa do Psicólogo, tel. (11) 3034-3600, 25 reaisSexo, Prazeres e Riscos, Antonio Carlos Egypto, 94 págs., Ed. Saraiva, tel. (11) 3613-3030, 27,90 reaisSexo se Aprende na Escola, Marta Suplicy e outros, 119 págs., Ed. Olho d'Água, tel. (11) 3673-1287, 24 reais
MAIS INFORMAÇÕES NO BLOG: CHEGADESOFRERCALADO

segunda-feira, 23 de junho de 2008

POR QUE A EDUCAÇÃO BRASILEIRA AINDA TIRA "NOTA VERMELHA"?




Dados divulgados pelo MEC (Ministério da Educação) nesta quarta-feira (11) apontam que a educação brasileira, apesar de avanços no ensino fundamental, ainda tira "nota vermelha". Em nenhuma das etapas de ensino analisadas no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), as médias foram maiores que cinco, mínimo exigido a um aluno de educação básica na rede pública para passar de ano.


Por que a educação brasileira ainda tira "nota vermelha"? Dê a sua opinião.


segunda-feira, 9 de junho de 2008

Há professores e há educadores.



Numa escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: uma turma de meninas de 12 anos que usava batom todos os dias removia o excesso beijando o espelho do banheiro.
O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as Mesmas marcas de batom.
Chegou a chamar a atenção delas por quase 2 meses, e nada mudou, todos os dias acontecia a mesma coisa….
Um dia o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam.
Depois de uma hora falando, e elas com cara de deboche, o diretor pediu ao zelador “para demonstrar a dificuldade do trabalho”. O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho.
Nunca mais apareceram marcas no espelho.
Há professores e há educadores.
Obrigada querida Renatinha (Renata Emy), adorei a mensagem...
bjs

domingo, 8 de junho de 2008

Piadas Infantis




O Bom aluno


Anúncio de "precisa-se" colocado em jornal por um menino de dez anos:

"Desejo entrar em contato com homens que tenham terminado o curso primário em 1960 e que tenham conhecido meu pai naquela época. Objetivo: verificar se êle era tão bom aluno como diz."


Boas Maneiras


Joãozinho, argumentava a professora, Suponha que somos convidados para almoçar na casa de um Amigo. Acabado o almoço, o que devemos dizer? Cadê a sobremesa!


O Boletim


O Pai com o boletim na mão, diz para o filho: É uma pena que não dêem nota de coragem.

Você teria nota 10 por trazer isto para casa!



Resposta Original


Joãozinho, pergunta a professora, o que é que acontece quando há eclipse de sol?

Todo mundo sai à rua para ver!


sábado, 7 de junho de 2008

Da Criança ao Homem




Proclamas o bem por base da evolução; todavia, se não tens paciência para comigo, porque eu te aborreça, provavelmente ainda hoje cairei na armadilha do mal, como ave desprevenida no laço do caçador.
*
Em nome de Deus que dizes amar, compadece-te de mim!...
Ajuda-me hoje para que eu te ajude amanhã.
Não te peço o máximo que alguém talvez te venha a solicitar em meu benefício...
Rogo apenas o mínimo do que me podes dar para que eu possa viver e aprender.
* * *
Xavier, Francisco Candido. Da obra: O Espírito da Verdade.Ditado pelo Espírito Meimei.FEB.
* * *
Queridas e queridos vou me policiar mais antes de perder a paciência com os meus.
Beijos

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Projetos buscam a paz.


O ComSeTran ( Comitê de Segurança no Trânsito ) tem um projeto especial de acompanhamento às pessoas acidentadas no trânsito. A pessoa que sofre um acidente tem sua vida mudada radicalmente. Ela perde o emprego, pode ficar imobilizada e se sentindo mal quieto ali na sua casa, precisa comprar remédios, enfim, é necessário todo um acompanhamento, ajudando de todas formas possíveis...", explica Finholdt.
Outro projeto do ComSeTran é o "Eu respeito a Faixa", no qual voluntários fazem teatro nas ruas, para despertar nos pedestres a segurança que a faixa proporciona aos pedestres e no motorista a importância do respeito ao limite da faixa. Há também o "Amigo da Vez", em parceria com a SESTTRAN, onde fiscais e voluntários percorrem os bares da cidade e abordam cada mesa. "O objetivo é fazer com que em cada grupo de amigos, um deles não beba para levar os outros para casa", explica Finholdt. "Este projeto é dedicado principalmente aos jovens, que precisam se conscientizar que o trânsito impõe limites. Limites do álcool e da velocidade. O maior número de mortes no trânsito é de pessoas que têm de 18 à 25 anos", afirma Vanilda.
O pessoal da SESTTRAN também é frequentemente convidado à ministrar palestras em em-presas, durante as Semanas Internas de Prevenção de Acidentes de Trabalho, SIPATs, uma vez que se o funcionário se acidentar a caminho do serviço, a empresa é responsável.Há também aulas educativas para motoristas infratores. Quem cometer uma infração leve ou média tem a chance de torcar a multa e os pontos que seriam perdidos na Carteira Naciondal de Habiliação por uma aula, onde acontece um bate papo informal, um momento de reflexão.As crianças e os deficientes também recebem atenção. "Te-mos um semáforo es-pecial para deficientes visuais na Avenida Odilon Fernandes, e vamos fazer uma nova experiência. Vamos percorrer as ruas da cidade para cobrar dos motoristas que "esqueceram" que os rebaixamentos de calçada são para os deficients físicos," explica Vanilda.No pátio do ComSeTran, está instalada a Transitolândia. "Trazemos as crianças e depois de uma aula ao ar livre, elas passeiam pela mini-cidade onde temos vários sinais de trânsito. Neste ano já passaram mais de mil crianças por aqui", diz Finholdt.
Mas Finholdt lem-bra: "Não adianta nada nós trabalharmos, o governo, a polícia , se cada um não fizer sua parte".De 18 à 25 de setembro acontece em todo o Brasil a Semana Nacional do Trânsito. O último dia é o Dia Mundial do Trânsito. É determinado por lei que cada cidade deve desenvolver atividades educativas nesta semana. As entidades de cada cidade escolhem a forma mais adequada de trabalhar nesta data. A única exigência é que seja de acordo com o tema escolhido pelo Conselho Nacional de Trânsito, ConTran, que muda à cada ano. Nesta ano, o tema já foi escolhido: não falar ao celular enquanto estiver dirigindo. Finholdt aprovou: "Não consigo entender porque os motoristas, quando o celular toca, têm tanta pressa em atender. Será que é medo da bateria acabar? Porque não encostam mais à frente e então atendem?", questiona.As atividades já estão programadas. "Teremos teatro com fantasias de semáforo, placas, morte...temos que dar um destaque especial para a morte", diz Vanilda. "Se eu te mostrar uma pombinha ali, você vai ver mas logo esquece. Mas se eu mostar uma simulação de morte por causa do celular, você já vai prestar mais atenção. Infelizmente, o homem só dá atenção se tiver morte relacionada. Parece que tem que ver sangue para aprender", lamenta ela.

domingo, 1 de junho de 2008

EDUCAÇÃO SEXUAL NA ESCOLA


Atualmente vivemos tempos de grande preocupação com os jovens. São mais de 36.000 adolescentes entre 12 e 16 anos grávidas no Brasil. O maior problema que enfrentamos para evitar a gravidez de adolescentes é a falta de conscientização dos educadores (pais e escola) sobre a necessidade de promover a educação sexual preventiva em massa no meio educacional.
Quando falamos em "educação sexual", esbarramos com preconceitos terríveis por parte de muitas pessoas. Por total desconhecimento do assunto, pensam que, se ela for implantada na escola, seus filhos e alunos iniciarão a vida sexual precocemente.
O que muita gente não sabe é que, quando implantamos a educação sexual em uma escola, a tendência é o jovem sanar suas dúvidas e conseqüentemente não sair afoitamente à procura de qualquer experiência sexual para saber como é e tirar suas dúvidas.
A grande parte dos jovens recebe estímulos de seu grupo para realizar logo atos sexuais e, pior que isso, é informada por outros adolescentes um pouco mais velhos que também receberam péssimas orientações. Estes são, na sua grande maioria, supervalorizados pelo grupo por serem considerados "cabeças abertas".
Conversar de forma séria sobre assuntos sexuais em geral tende a baixar a ansiedade dos jovens, que naturalmente são muito curiosos e desejam viver suas experiências o mais rápido possível. Afinal, a adolescência é um período de descobertas.
Sem a orientação correta, a atitude dos adolescentes não poderia ser diferente da que predomina à sua volta. Para entender isso, basta ver esta regra básica da psicologia: todos seguimos modelos e, se os modelos que temos não são lá essas coisas, como poderíamos ser diferentes?
A conduta dos adolescentes é fácil de entender quando se está no meio de um grupo em que é muito vergonhoso ser virgem, em que a menina que ainda não teve sua primeira experiência sexual é considerada quadrada, antiga, problemática, mesmo que só tenha 14, 15 anos de idade. Num grupo em que os pais não receberam orientação sexual e não têm tempo para educar seus filhos, pois estão ocupados demais com seu trabalho e, quando chegam em casa, não querem lidar com aquele adolescente cheio de dúvidas e questionamentos sobre diversos assuntos, principalmente sobre sexo, ou então não sabem como proceder.
Nós, pais, educadores e diretores, temos de entender que estamos vivendo numa época de excesso de estímulo sexual e em que a mídia promove um certo incentivo para o ato sexual sem dar a mínima noção de segurança. Vivemos num tempo de confusão, pois estamos misturando a palavra liberdade sexual com libertinagem sexual. Não adianta esconder, não informar, fingir que o sexo não existe. Ele está aí para quem quiser experimentá-lo. Não cabe a mim nem a ninguém proibi-lo. Não adiantaria nada proibir, pois os adolescentes fariam sexo às escondidas. Não foi assim com quase todos nós?
Temos de, simplesmente, criar mecanismos para orientar melhor nossa equipe de trabalho e fazer com que as informações pertinentes à sexualidade sejam discutidas para que falar de sexo torne-se algo natural e o adolescente não tenha vergonha de sanar suas dúvidas ou de procurar seus pais, professores e educadores a fim de receber ajuda nessa fase tão complexa de sua vida e em que há descobertas de valores que vão determinar para todo o sempre uma vida de prazer ou de desprazer.
Atualmente, pesquisas revelam que mais de 50% das mulheres têm problemas sexuais, que começaram, no caso da maioria delas, na adolescência. Esses problemas, muitas vezes bastante graves, são geralmente decorrentes da total falta de apoio no período das descobertas sexuais.
A repressão sexual na sociedade, nas famílias, nos colégios é um dos fatores mais fortes da falta de prazer feminino e da disfunção erétil masculina na fase adulta. Se não começarmos agora a mudar a nossa filosofia educacional no que diz respeito à sexualidade, certamente teremos no futuro um mundo com adultos cheios de problemas.
Estamos muito avançados no que diz respeito à tecnologia, mas no que se refere à sexualidade ainda vivemos na Idade da Pedra. Não sabemos responder à grande maioria das perguntas sobre sexo, não sabemos o que fazer com nossos filhos quando entram na fase da descoberta da sexualidade e ainda assim observamos um grande "frisson" quando se promove uma palestra sobre sexo. É sinal de que algo não vai bem!

Charles Rojtenberg é psicólogo

Precisamos fazer nossa parte ou melhor eu enquanto educadora tenho que fazer a minha , nós sabemos que hoje no Brasil a educação sexual infelizmente é só um tema transversal, eu defendo que se torne parte do currículo escolar e que seja obrigado a ser trabalhado em todas as Escolas. Enquanto isso não acontece, vamos fazer cada um a sua parte, Pais, Instituições de Ensino, Religião, comunidade e nossos representantes em Brasília.

Maria Fernanda Figueiredo



segunda-feira, 19 de maio de 2008

Identifique se seu filho é agressor ou vítima de bullying na escola


Bruno Aragaki
Em São Paulo


Pouco antes do horário de ir à escola, a criança diz que tem dor de barriga e pede para faltar. Em casa, não desgruda da Internet. Senhor pai ou responsável: pense duas vezes antes de castigar seu filho ou chamá-lo de preguiçoso. Você pode ter uma vítima de bullying em casa.

O termo vem do inglês "bully" (pronuncia-se 'búli'), que se refere a pessoas que intimidam, agridem ou se aproveitam de outras pessoas - o seu filho, por exemplo.

Seu filho sofre bullying? Então:
Não diga para "deixar para lá" - ou ele pode não mais contar problemas que tenha;
Converse com a direção da escola, se o problema for lá;
Se não resolver, faça boletim de ocorrência em delegacia de polícia;
Se a ofensa for pela Internet, imprima a página e leve ao Ministério Público;
Estimule que seu filho conte como foi o dia na escola.
Um dos desafios para a identificação do bullying é o fato de muitas dessas práticas serem aceitas como meras brincadeiras por pais e professores - crianças que se dão apelidos, fazem gozações e chacotas umas com as outras.

"O que muitos pais não percebem é que, não raramente, essas 'brincadeiras' fazem mal à criança. Em casos extremos, leva ao suicídio", diz a pedagoga Cleo Fante, especialista em bullying.

Segundo a educadora, a popularização da Internet entre adolescentes e crianças é outro fator que contribui para o aumento do bullying, "já que no mundo virtual as pessoas não precisam dar as caras".

Os casos de cyberbullying, praticados pela Web, são tão "prejudiciais para as crianças quanto o bullyings tradicional", afirma Fante.

Como agir diante do bullying

No mundo real ou virtual, o problema requer atenção de pais e professores.

"Um dos maiores erros é menosprezar o sofrimento da criança. Não se deve dizer para o filho deixar isso para lá", diz Fante.

"Há pais que dizem 'eu também passei por isso', o que não justifica o sofrimento da criança. Além do mais, cada indivíduo encara as dificuldades de maneira diferente", diz.

Se a escola é o local em que a criança sofre a intimidação, os pais devem entrar em contato com professores e diretores, que devem coibir esse tipo de ação entre os estudantes.

"É preciso também estimular a auto-estima dos pequenos. As maiores vítimas são as crianças tímidas, que não conseguem se defender e exigir que os colegas parem com a brincadeira. Os pais devem incentivar a criança a fazer isso, sem estimular a violência", diz Fante.

"A criança deve conseguir dizer com firmeza: 'eu não quero brincar', 'eu não sou isso que você está dizendo'. Brigar com o filho vítima de bullying não dará a coragem que a criança precisará para ser firme", explica a pedagoga.

Como identificar o bullying

Muitas vítimas de bullying sofrem caladas, "por vergonha, por acharem que são culpadas ou até merecem os apelidos, ou por falta de oportunidade de diálogo", aponta Cleo Fante.

Cabe, então, a pais e professores a tarefa e identificar se há algo de errado na vida social da criança ou mesmo do adolescente.

"Só consegue notar diferenças quem acompanha o cotidiano do filho. É esse o primeiro passo: ver se a criança está mais irritada, nervosa ou triste que o normal", aponta Fante.

No caso de vítimas de cyberbulling, a compulsão por utilizar a Internet é outra característica.

Filhos "valentões"

Se o seu filho não é vítima de bullying, ele pode ser, ainda, um desses agressores - comportamento que também merece atenção e cuidado dos pais.

"Dependendo da gravidade do ato, o menor pode ser internado para serem aplicadas medidas sócio-educativas", explica o promotor de Justiça Criminal, Lélio Braga Calhau, de Minas Gerais.

No caso de bullying pela Internet - caso a criança ou adolescente espalhe mentiras que ofendam algum colega -, o pai ou quem permitiu o acesso ao computador também pode ser penalizado.

"Alguém que seja negligente com um crime pode também ser responsabilizado, de acordo pelo código penal. Na área cívil, pode haver processos por danos morais e a família ser obrigada a pagar indenizações", diz Calhau.

Para identificar se o seu filho está intimidando outras crianças, a pedagoga cita algumas características comuns aos agressores: "os jovens que praticam bullying costumam ser hostis, usam força para resolver seus problemas e são intolerantes".

Os pais não devem elogiar nem estimular os filhos briguentos e valentões. Devem conversar e, se necessário, procurar ajuda de profissionais especializados, como psicólogos.
Leia mais
Controle de pais é ferramenta útil para proteger filhos na Internet
Softwares que ajudam os pais
Escolas deduram aluno pela Internet
Professores também são vítimas de cyberbullying

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Blogagem coletiva: "Analfabetismo no Brasil'.




Hoje é o dia da blogagem coletiva do blog Saia Justa, sobre o analfabetismo, e o tema é:
O que você faz para acabar com o analfabetismo no Brasil?

Ai vai minha pequena contribuição:

Quando criança reprovei na 3ª série de matemática. Minha mãe me bateu e fiquei de castigo nas férias daquele ano.

Cresci com a vontade de ser professora e com um propósito, de nunca reprovar alguém. Pensava eu, “quem sou para reprovar alguém?”.

Quando ingressei na faculdade de pedagogia, fui colega de sala de aula daquela professora de matemática, que me reprovou na terceira série.

Nunca imaginei que um dia seria colega de sala de uma das minhas professoras. A partir daí pude perceber que ser professora é algo muito além de transmitir conhecimentos, ao mesmo tempo em que, “estou professora estou aluna”.

Certo dia a professora de historia da educação pediu um trabalho em grupo de dois. Eu não estava nesse dia em sala de aula. E essa minha “colega e ex- professora” me colocou no grupo dela.

Faríamos o trabalho nós duas. No outro dia ela veio toda feliz me comunicar que faríamos um trabalho juntas.

Eu fiquei estarrecida, pensei comigo: “como posso fazer um trabalho com uma ex-professora que já me reprovou uma vez, será que ela iria me reprovar novamente?”.

Chegou o dia da apresentação do trabalho. A minha “colega e ex-professora” não conseguiu se expressar, eu apresentei o trabalho praticamente sozinha. No final da apresentação, aquela mesma professora, que me reprovou quando eu tinha oito anos, batendo no meu ombro, ela fez o seguinte comentário: “Essa é a minha aluna, merece nota 10, o que eu tenho de metódica na matemática, ela tem de dinâmica em se expressar”.

Ali eu consegui superar um trauma de infância. Mais uma vez posso reafirmar aquele meu pensamento, “quem sou eu para reprovar alguém”.

Hoje sou alfabetizadora, leciono em escolas públicas no município de Várzea Grande – MT. Atualmente estou na promoção social do município, trabalhando no projeto de Educação de Jovens.
Maria Fernanda Figueiredo

sábado, 1 de março de 2008

4 mitos da dislexia


Existe uma espécie de fantasma que assombra as salas de aula brasileiras. Ele atende pelo nome de dislexia e é coresponsável pelas dificuldades de milhões de crianças, sobretudo nas séries iniciais. Mas será que ela é a causa de tantos problemas de aprendizagem? É quase consenso que esse distúrbio é um grande obstáculo que impede o pleno desenvolvimento da leitura e da escrita. Especialistas ouvidos por NOVA ESCOLA, no entanto, discordam da análise. “Ela tem sido usada para justificar o fracasso escolar e a evasão e, com isso, muitos tiram o foco da baixa qualidade do ensino, deixando os alunos como os únicos responsáveis pelas deficiências da escola”, avalia Telma Weisz, doutora em Psicologia da Aprendizagem e do Desenvolvimento e uma das autoras dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa.
Grande parte dos estudantes que escrevem as letras invertidas na alfabetização ou cometem erros de ortografia age assim porque essas ocorrências são normais no processo de aquisição da linguagem escrita. Da mesma forma, o pouco interesse pela leitura e pela escrita pode ser visto como doença – ou reflexo da falta de contato com material impresso e das poucas oportunidades para ler e escrever no dia-a-dia. E as causas genéticas e emocionais da dislexia? Se você prefere rotular seus alunos em vez de se interessar pela forma como ele apreende conhecimentos, não há muito a fazer. Se, contudo, você prefere acreditar que todos podem se desenvolver do ponto de vista cognitivo e intelectual, vai concordar que essa é uma das formas mais cruéis de barrar os avanços porque acaba por envolver também as famílias nesse processo preconceituoso de determinar o futuro das crianças.
Então, a dislexia não existe? Sim, ela é uma doença catalogada. O que não está clara é a idéia estabelecida em alguns consultórios e salas de aula de que a patologia está na origem das dificuldades de aprendizagem. Os conhecimentos de pedagogia e os estudos sobre como se constrói o conhecimento simplesmente não são levados em conta nas discussões atuais sobre o tema. Talvez por isso pareça tranqüilo “encaminhar” esses estudantes aos serviços de saúde (como revelam os casos relatados nos quadros abaixo). Ao considerar esses saberes, o diagnóstico costuma ser alterado e as soluções propostas passam a ter muito mais a ver com as atividades desenvolvidas em classe. Confira a seguir os quatro grandes mitos em torno da dislexia hoje.



Cada um no próprio ritmo



VINÍCIUS LOBO CAMARGO, 13 anos, estudante de São Paulo, SP

Vinícius Lobo Camargo, 13 anos, nunca foi considerado um bom aluno. Para sua mãe, as notas baixas e a falta de concentração pareciam o sinal de pouco empenho nos estudos, já que o garoto vai muito bem em Matemática e se comunica com facilidade. Aos 9 anos, uma tia o levou a um centro especializado em dislexia para uma bateria de exames neurológicos, fonoaudiológicos e psicológicos. O resultado dos testes apontou dislexia severa. “Eu nunca gostei muito de ler e escrever, mas estou provando que essa doença não me impede de aprender”, diz o menino. Hoje, Vinícius não toma nenhum tipo de medicação e freqüenta a 7ª série numa escola pública de São Paulo. Quando necessário, faz sessões de psicopedagogia e participa de aulas de reforço. “A dislexia não me impede de aprender e passar de ano. Sou um aluno normal, mas que precisa de mais tempo para acompanhar a turma. Qual o problema?”


1º mito: A dislexia atrapalha a alfabetização


Criança que troca letras é disléxica, certo? Não. Focar a expressão escrita na oralidade (escrever como se fala), trocar tipos parecidos foneticamente (como F e V), juntar palavras e unir letras de forma aparentemente aleatória são ações absolutamente normais do processo de alfabetização. Quem sabe como o aluno constrói esse novo conhecimento considera esses fatos como um avanço em relação a uma etapa anterior, não um erro.
As pesquisadoras argentinas Emilia Ferreiro e Ana Teberosky descobriram (há quase 30 anos!) que os estudantes elaboram diferentes hipóteses sobre o funcionamento do sistema de escrita, como se fossem degraus numa escada rumo à aprendizagem. Investigações na área de didática são unânimes em demonstrar que se alfabetizar está longe de ser uma tarefa simples, num processo complexo em que as idéias dos pequenos nem sempre coincidem com as dos adultos. “Observar a relação do aluno com a própria escrita é mais importante do que apontar erros e muito mais efetivo do que rotulálo como portador de um distúrbio”, afirma Giselle Massi, especialista em fonoaudiologia e linguagem, em Curitiba. Em vez de encaminhar para um tratamento de saúde, o importante é compreender que o percurso é tão importante e desafiador quanto sua conclusão.
Vale lembrar que saber escrever vai além da aquisição da ortografia correta. Aspectos textuais, como coerência, utilização e manipulação de referências e construção lógica de idéias, evidenciam a capacidade de uso da escrita. Apesar de serem centrais na avaliação do nível de compreensão que cada criança tem da linguagem, esses elementos muitas vezes são ignorados. Por exemplo: um aluno que troca letras pode apresentar outras qualidades em seus textos e, portanto, não deve ser tachado de doente, sem apelação.


2º mito: O disléxico não gosta de ler e escrever


Na verdade, o desinteresse pela leitura e pela escrita está muitas vezes associado às próprias dificuldades da alfabetização. A expectativa equivocada de pais e educadores quanto ao ritmo de aprendizagem e a simples comparação entre os colegas de classe podem criar estigmas. Essa mania de colocar rótulos nos estudantes (bons, esforçados, casos perdidos...) cria o que Giselle Massi chama de aquisição por sentido: “Ao ser carimbada pelo professor e pelos pais, a criança desenvolve uma equivocada noção de si e passa a se ver como incapaz de avançar”. Assim, é natural que perca o interesse pelas atividades ligadas ao que considera ser a sua fragilidade (leia mais na entrevista abaixo).
Além de distúrbios físicos (problemas de visão ou audição, por exemplo que podem interferir nessa dificuldade, pais que não valorizam a leitura ou têm pouco acesso a livros e jornais inf luenciam diretamente o desempenho percebido em sala de aula. Não se pode esquecer que no Brasil, segundo dados do Indicador do Alfabetismo Funcional de 2007, só 28% da população entre 15 e 64 anos é capaz de ler textos longos e fazer relações e inferências. É por isso que, aqui, acreditar que a dislexia seja responsável por esse problema é muito grave e não pode justificar os entraves do atual sistema de Educação.
“Quando a criança é observada com mais atenção, é possível verificar que a maior parte dos problemas não é de origem patológica, mas uma junção de fatores internos e externos à escola que dificultam a aprendizagem”, afirma Telma Weisz. “Não questiono a existência da dislexia, mas seus sinais pedem muita atenção num país como o nosso.”



Luta contra o preconceito

ELIANA OLIVEIRA, mãe de Felipe, aluno da 7ª série em São Paulo


Eliana Oliveira sofreu muito quando recebeu o diagnóstico de dislexia do filho. Felipe Anderson de Oliveira, hoje com 14 anos, sempre teve dificuldade para ler e escrever e se adaptar ao ritmo da classe. Ela e o marido mudaram o menino de colégio várias vezes (ele chegou a ser matriculado numa escola especial) e fizeram uma peregrinação por consultórios e clínicas de neurologia e psiquiatria. Para a surpresa deles, os pais dos colegas de Felipe questionavam as atividades diferenciadas destinadas ao garoto em sala de aula. “A discriminação é o pior. Quero que Felipe reconheça suas potencialidades e não deixe de sonhar”, afirma a mãe. Há cinco anos, ela e o marido passaram a estudar psicologia para entender a realidade do filho e ajudá-lo a avançar. “A discriminação é muito pior do que qualquer distúrbio porque destrói o interesse da criança pelo aprender. Reverter esse quadro é um longo trabalho” .

3º mito: O disléxico é mais inteligente e criativo

Essa é outra afirmação, digamos, um tanto quanto estranha. Alguém acha que é possível medir a inteligência ou a criatividade de forma objetiva, como resultado de uma avaliação pragmática? Uma tese amplamente aceita é a de que, por utilizarem formas singulares de elaboração da linguagem escrita e de interação com o idioma, as crianças ditas disléxicas acabariam por desenvolver estratégias mais criativas de comunicação, interessando-se mais pelas artes e pelos esportes.
O fato é que cada ser humano é único, cheio de sutilezas e tem uma intrincada e singular forma de observar e interagir com o mundo. Em outras palavras, todos os estudantes apresentam afinidade com diferentes linguagens. Pesquisas do psicólogo norte-americano Howard Gardner comprovam essa diversidade. Tanto que ele cunhou a expressão “inteligências múltiplas” (ou seja, não há “uma” inteligência a ser medida). Testar essas habilidades implica considerar um universo de possibilidades do conhecimento humano e não apenas a expectativa da sociedade numa determinada época.
Para a psicopedagoga Marice Ribenboim, de São Paulo, o rótulo de gênio é tão nocivo quanto o de incapaz de aprender. “Marcar uma criança como portadora de um distúrbio é, em qualquer situação, uma forma de limitação. A Educação não pode se pautar por esse tipo de evidência, como se fosse um veredicto final sobre as possibilidades de cada um.”

4º mito: As causas da dislexia são genéticas

Estudos recentes conduzidos por Sally Shaywitz, neurologista da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, apontam para uma descoberta neurofisiológica que seria capaz de justificar a falta de consciência fonológica do disléxico. Mas, embora as principais instituições de estudo da doença aceitem atualmente a teoria de uma origem genética, oficialmente a dislexia ainda é um distúrbio sem causa definida. Sim, oficialmente é isso.
Pesquisas realizadas no Brasil e na Inglaterra pelo neurologista Saul Cypel, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor do Instituto de Neurodesenvolvimento Integral, colocam em xeque a maneira como são conduzidos esses tipos de teste de diagnóstico e revelam que, de cada 100 alunos encaminhados ao médico com suspeita de dislexia, apenas três efetivamente têm a doença. Elas demonstram que não há relação direta entre disfunções no exame eletroencefalográfico e dificuldades de aprendizagem.
Como os mecanismos de funcionamento da dislexia ainda são um mistério para a Medicina, só os sintomas é que conduzem a um diagnóstico – e eles podem apontar para caminhos equivocados. Quando uma criança mostra dificuldades de aprendizagem associadas à dislexia, os exames às quais é submetida têm como intuito principal descobrir se existe outra causa perceptível para a doença. Se nenhum desvio físico ou psicológico é encontrado, toma-se a dislexia como uma patologia presente e mede-se, por meio dos sintomas, seu grau de severidade.
O tema, como se viu nestas quatro páginas, é bastante controverso e, obviamente, não se esgota aqui. Não há conclusões totalmente definitivas sobre a dislexia (suas causas, seus sintomas, sua ligação com a escola). O que sobra são dúvidas que precisam ser destacadas e exploradas num debate crítico. Como diz o filósofo francês Edgar Morin em seu livro Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro: “Será preciso ensinar princípios de estratégia que permitam enfrentar os imprevistos e as incertezas na complexidade do mundo contemporâneo. É preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certeza”.

Quer saber mais?


Bibliografia
A Dislexia em Questão, Giselle Massi, 256 págs., Ed. Plexus, tel. (11) 3872-3322, 45,90 reais.
Neurologia Infantil, Saul Cypel e Aron Diament, 1921 págs., Ed. Atheneu, tel. 0800-26-7753 .

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A Pedagogia do Amor


O educando, no processo de formação escolar, tem necessidade de amar e compreender. Da mesma forma, o professor, no exercício de seu magistério, tem necessidade de ser amado e ser compreendido.
Assim, a necessidade de amar do aluno e o desejo de ser amado do professor nunca andam separados, são a base de uma relação fraterna e recíproca entre professor e aluno.
Uma criança quanto mais sente que é amada, mais disciplinada estará para receber a ministração das aulas. Onde não há reciprocidade, isto é, o amor do aluno para com o professor e do professor para com seu aluno, não assimilação ativa, não há a razão de ser da educação escolar: o desenvolvimento do educando como pessoa humana.
A nova Lei de Diretrizes e Bases da da Educação Nacional (LDB), a Lei 9.394, promulgada em 1996, trouxe as bases do que venho denominando, nos meios acadêmicos, de Agapedia, a Pedagogia do Amor.
É a LDB que nos oferece os dois mais importantes princípios da Pedagogia do Amor: o respeito à liberdade e o apreço à tolerância, que são inspirados nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana. Ambos têm por fim último o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania ativa e sua qualificação para as novas ocupações no mundo do trabalho.
Na educação infantil, a Pedagogia do Amor torna possível o cumprimento do desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, na medida em que o processo didático complementa a ação da família e da comunidade.
No ensino fundamental, a Pedagogia do Amor se dá em dois momentos: no primeiro, no desenvolvimento da capacidade de aprendizagem do educando, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores e, no segundo momento, no fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
No ensino médio, a Pedagogia do Amor se manifesta na medida que nós, professores e futuros professores, aprimoramos o educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.
Na educação superior, há lugar também para a Pedagogia do Amor. Ela se manifesta no momento em que os professores estimulam o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular, os nacionais e regionais. É a Agapedia que leva os alunos à prestação de serviços especializados à comunidade e estabelece com esta uma relação de reciprocidade.


Vicente Martins

sábado, 15 de dezembro de 2007

SP: parceira capacitará agentes públicos para trato com gays



A Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, em parceria com a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual (CADS), da Prefeitura de São Paulo, realiza nos dias 13 e 14 de dezembro, o primeiro curso de capacitação para gestores públicos em direitos humanos e diversidade sexual. A iniciativa visa a informar e preparar gestores estaduais e municipais para atuarem no combate e prevenção de práticas discriminatórias por orientação sexual e identidade de gênero e na proposição de políticas públicas que contemplem a diversidade sexual.

O seminário terá a presença de especialistas que abordarão questões como a história dos direitos humanos; conceitos e definições de orientação sexual e identidade de gênero; aspectos legislativos ligados ao tema (lei estadual 10.948/01); funcionamento da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, além de trazerem estudos de casos reais para o enriquecimento dos debates.

Redação: mixbrasil.uol.com.br

Bento XVI diz que matrimônio gay é obstáculo para a paz





O sumo pontífice da Igreja Católica, Papa Bento XVI, voltou a condenar o casamento gay, comparando a união ao aborto, à proliferação das armas nucleares e à destruição do meio ambiente.


Segundo ele, qualquer coisa que sirva para debilitar a família tradicional, assim como qualquer coisa que, direta ou indiretamente, impeça a criação de uma nova vida, constitui um obstáculo no caminho para a paz.


O pontífice classifica a união entre pessoas do mesmo sexo como uma ameaça à paz mundial, sem se dar conta que tais uniões representam demonstrações de amor, e estão longe de configurarem ameaças à paz global.

http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/11_101_64596.shtml

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Saindo uma aula quentinha..... "O Tema combina com uma sexta-feira "

Métodos anticoncepcionais

Objetivos

1) Diferenciar métodos anticoncepcionais;
2) Analisar as vantagens e desvantagens dos métodos anticoncepcionais.

Comentário introdutório

Há uma variedade de métodos anticoncepcionais - e para a escolha e sua melhor utilização é importante que se tenha o conhecimento necessário. Alguns são denominados de métodos contraceptivos naturais, como a tabelinha e o coito interrompido, por exemplo. Enquanto outros são artificiais, como a camisinha (masculina e feminina), o DIU (dispositivo intra-uterino), o diafragma, a pílula, o gel ou creme espermicida, etc.
Ao escolher um método anticoncepcional, é necessário que se realize uma consulta a um(a) médico(a) ginecologista, a fim de se receber orientações mais específicas.

Estratégias

1) Após ter discutido e ministrado aulas sobre a temática relacionada à sexualidade humana, o professor deverá introduzir o tema dos métodos anticoncepcionais.

2) Deverá listar, na lousa, os métodos anticoncepcionais conhecidos pelos alunos.

3) Em seguida, os alunos deverão formar duplas ou trios, a fim de que escolham três métodos que gostariam de pesquisar, aprofundando assim seus estudos.

4) Para elucidar os caminhos da pesquisa, deverá haver uma conversa informal sobre os métodos e quem os utiliza (homem ou mulher), como se utiliza e com que objetivo (prevenir gravidez e/ ou doenças sexualmente transmissíveis - DSTs).

5) O professor deverá trazer diferentes materiais para que os alunos pesquisem sobre os métodos escolhidos. Os materiais deverão contemplar os itens: história; utilização; objetivos; vantagens; desvantagens; e Imagens.

6) Os alunos deverão produzir um texto, explicando sobre as informações pesquisadas, a fim de, futuramente, realizarem um "confronto de informações" com os colegas da sala.

7) Os alunos deverão estar dispostos em círculo para iniciarem a troca de informações, analisando se os dados pesquisados são discrepantes ou não.

8) O professor deverá sintetizar as informações, anotando em tópicos, na lousa.

Sugestão

1) O professor deverá ficar atento quanto à escolha dos métodos anticoncepcionais pelas duplas ou trios, para que vários não fiquem com os mesmos assuntos.

2) A pesquisa também poderá ser realizada pelos alunos usando a internet e outras fontes de consulta, analisando assim a diferença entre os dados e verificando quais fontes são confiáveis em relação às informações observadas.

3) O professor poderá solicitar em postos de saúde e/ou a um ginecologista alguns dispositivos ou substâncias utilizados como métodos anticoncepcionais, a fim de que possam ser observados e manipulados pelos alunos.

4) O professor poderá entregar um texto com todas as informações necessárias aos alunos, para que possa ser uma fonte de estudo e/ou objeto de um possível instrumento avaliativo.

*Cristina Faganeli Braun Seixas é bióloga e professora da Fundação Bradesco (Unidade I - Osasco)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Condenados ao assistencialismo

''Há quem prefira ficar na pobreza a perder o benefício''

Os programas de distribuição de renda do governo federal não estão funcionando como deveriam. O caso da desempregada Elizângela Silva é lapidar. Moradora de Costa Barros (Rio de Janeiro), mantém os três filhos matriculados numa escola da Zona norte para garantir os R$ 112 mensais do Bolsa Família. O que não impede que, nos fins de semana, rume com a família para Copacabana. Limpa pára-brisas em troca de moedas. Dormindo na calçada, reforça o orçamento familiar em R$ 60. E, indiretamente, confirma que o modelo do Bolsa Família distribui dinheiro, mas incentiva a pobreza, em vez de promover a educação.
No princípio o programa visava estimular o jovem a estudar e, assim, subir na escala social. À época a mãe raciocinava que só teria direito ao benefício se o filho tivesse bom desempenho na escola. Hoje ela faz o que pode para manter a pobreza porque teme, no caso de se empregar, perder o benefício. Prefere continuar atrelada ao assistencialismo oficial. Raros são os beneficiários que conseguem romper essa ciranda de miséria e pedir exclusão do programa. Ao contrário, cresce a cada ano a legião de assistidos - o que, para o governo, pode até ser positivo pelo lado eleitoral, mas é extremamente negativo para a nação.
Fiscalizar a contrapartida exigida por lei é fundamental para retomar o bem-intencionado caminho proposto pelos autores do programa. Assegurar um ensino de qualidade é tão essencial quanto a primeira premissa. E, a fim de resgatar os jovens das ruas ou os pais do mercado informal, cursos profissionalizantes e de requalificação de mão-de-obra são prioritários. Só assim se conseguirá, algum dia no futuro, liberar toda uma geração condenada ao assistencialismo.

Fonte: Editorial, Jornal do Brasil/Revista da Semana.

SMEC realiza I Seminário “Escola de Formação Integral”



Informações Gerais - O encerramento do ano letivo municipal será marcado pelo I Seminário – Escola de Formação Integral “Mais tempo para a qualidade”, que a Secretaria de Educação e Cultura (Smec/VG) realizará no próximo dia 12 de dezembro. Segundo a coordenadora de projetos da Smec/VG, Elizabeht Britez o evento tem como objetivo informar sobre os resultados da implantação do projeto no ano de 2007. “Vamos alertar as entidades formadoras para que comecem a trabalhar o conceito da formação integral e como trabalhar com as metodologias nessa formação de acordo com os resultados que estão concretizados, temos crianças com o grande nível de conhecimento, mostrando capacidade e talento para outras atividades para além da formação escolar tradicional. Hoje temos uma educação de qualidade”.

RETROSPECTIVA - Desde 1º de março a nova metodologia implementada pelo Executivo Municipal passou a ser aplicada às escolas “Padre Luís Maria Ghisoni”, “Gonçalo Domingos de Campos” – CAIC e “Profº. Lenine de Campos Povoas”.

Intitulada “Mais Tempo Para Qualidade”, a ação veio para transformar o dia-a-dia escolar. Além da ampliação do tempo de permanência dos estudantes na escola de quatro para seis horas diárias, o currículo sofreu acréscimo de disciplinas como Artes (teatro, dança, música e artes visuais), Espanhol, Filosofia e àquelas voltadas à prática esportiva.

As disciplinas passaram a ter caráter pedagógico, mesmo aquelas que a princípio parecem ter apenas motivação recreativa. Outro fator que irá contribuir ainda mais para a qualidade do ensino ofertado nas unidades municipais diz respeito ao corpo docente. Além de capacitação específica, os profissionais que optaram por lecionar em uma das três escolas de formação integral terão mais tempo para planejar suas atividades, uma vez que cumprirão sua carga horária em apenas uma unidade.


Data: 12.12 (quarta-feira)

Local: Buffet Rosane Miranda (rua Gal. Manoel Gomes, bairro Ponte Nova – VG, próximo a Monza Veículos)

Horário: 8h

Contato: Secretaria de Comunicação (3688-8104) ou Coordenadora de projetos da SMEC/VG – Elizabeth Britez (3688-8164)

Fernanda Godoy
Secom/VG



Crianças encenam hoje o nascimento de Jesus

Cerca de 500 crianças do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) vão participar do "Natal da Cidade", o projeto de luzes e decoração natalina da sede da Prefeitura e ruas da capital mato-grossense.

O espetáculo será hoje às 19h, na Praça Alencastro. O evento começou ontem e vai até amanhã. Meninas e meninos de dezenas de bairros de Cuiabá vão encenar o "Nascimento de Jesus". Com essa peça teatral, a população cuiabana terá a oportunidade de reviver em praça pública momentos de amor, alegria, união e solidariedade.

Paralelo à organização desse evento, uma multidão de voluntários, servidores e parceiros da prefeitura trabalham no "Natal Criança Feliz", um projeto liderado pela primeira dama Adriana Bussiki Santos que visa a arrecadação de 100 mil brinquedos para o Natal das crianças das escolas, creches, associações, abrigos, centros de atendimento e outras instituições públicas e filantrópicas.

Para fazer a alegrias das crianças carentes, a prefeitura conta com parceiras importantes como bancos, lojas de móveis, que doaram mais de 30 mil brinquedos, e com outras grandes colaborações de empresas e instituições.

Mais informações sobre como e onde doar brinquedos pelos telefones: (65) 3051-9803 e 3051-9804.

http://rmtonline.globo.com/noticias.asp?n=367669&p=2

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

É POSSÍVEL ENSINAR A ÉTICA?

A formação ética dos futuros cidadãos foi o primeiro e também o mais constante sentido atribuído à ação educativa - ao menos desde que esta deixou de ser uma prática privada, exercida de forma espontânea e dispersa no cotidiano social, dando origem a instituições sociais específicas e a fazeres especializados. Ao ser inaugurado, o longo debate sobre os fins e sobre os procedimentos da educação era essencialmente movido por interrogações em que ética e política encontravam-se fortemente entrelaçadas. Tornada atividade social explícita e refletida, a educação se fez instrumento de construção de uma nova polis - de realização da obra política, pela formação ética dos futuros cidadãos. Mais ainda, a tarefa de formação ética para a cidadania deve ser associada à própria invenção da noção de escola, quer a entendamos em sua acepção mais ampla - como instituição consagrada a um tipo de educação que transborda o âmbito estritamente doméstico e que é confiada a "especialistas" -, quer a concebamos na acepção muito especial que passou a possuir na modernidade - quando à escola pública é imputada a responsabilidade quase que integral por uma formação antes confiada ao conjunto dos cidadão.


Lílian do Valle



domingo, 2 de dezembro de 2007

1... 2... 3... Testando!



Atenção!!!

" (Educ)ando por aí... "

está no ar!!!