quarta-feira, 8 de julho de 2009

AMOR E INTELIGÊNCIA


A religiosidade é inerente ao homem.
Sob as mais diversas formas e em todas as épocas, a Humanidade procurou relacionar-se com a Divindade.
Por muito tempo imperou a idéia de que Deus deveria ser temido.
O Criador era apresentado, por muitas tradições, como cioso e vingativo.
Jesus reformulou esse conceito, ao falar em um Pai amoroso e justo.
Convidado a indicar o maior mandamento da Lei Divina, Ele sentenciou: Amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o Espírito.
E também amar ao próximo como a si mesmo.
É interessante anotar que, ao invés de um, o Cristo apresentou, de uma vez, dois mandamentos. Um fala em amor a Deus e o outro em amor ao próximo.
Isso prova que tais comandos são entrelaçados.
O amor ao próximo complementa o amor a Deus e vice-versa.
Segundo o Mestre Nazareno, Deus deve ser amado com todo o coração, toda a alma e todo o Espírito.
Percebe-se ser esse amor algo muito intenso e profundo, que reclama a criatura por inteiro.
O sentimento por si só não basta.
Quando se quer enfatizar o aspecto emocional, fala-se em coração.
Mas à Divindade não se deve dar apenas o coração.
Todo o Espírito necessita estar empenhado nessa relação.
Segundo o dicionário, um dos significados de Espírito é o conjunto das faculdades intelectuais. Cuida-se de uma acepção até certo ponto comum.
Muitas vezes se afirma que uma pessoa tem espírito.
Essa expressão indica que ela é inteligente, perspicaz, possui raciocínio rápido.
Conclui-se que o amor a Deus envolve razão, discernimento, intelecto.
O Espiritismo ensina que Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
Não se trata de uma personalidade, à semelhança dos homens, mas de uma Consciência Cósmica. O apreço por uma personalidade humana, freqüentemente vaidosa, pode ser demonstrado por gestos exteriores.
Em relação à Consciência Cósmica, despida de características humanas, isso não se dá.
Como Deus é a Inteligência Suprema do Universo, o amor por Ele implica o esforço por desenvolver a própria inteligência. Assim, a religiosidade é incompatível com o cultivo deliberado da ignorância.
Deus brindou Suas criaturas com dons maravilhosos, os quais precisam ser valorizados.
O dom que distingue os homens do restante da Criação é a sua intelectualidade desenvolvida, a sua razão.
O amor a Deus pressupõe respeitar o Mundo e os seres que Ele criou.
E também, logicamente, o esforço para entender esse Mundo e as leis que o regem.
Tudo no Universo é progresso e metamorfose.
Espécies animais e vegetais, as sociedades e as leis humanas, tudo se altera e aperfeiçoa.
O papel de cada homem é colaborar nesse processo de aprimoramento.
Para isso, necessita burilar seu intelecto.
Ao crescer em entendimento e compreensão, enche-se de admiração pela grandeza e pela sabedoria Divinas.
Mas o amor ao próximo complementa o amor a Deus.
As faculdades desenvolvidas pelo estudo e a observação devem ser utilizadas em benefício do semelhante.
Assim, para bem cumprir o mandamento do amor, procure desenvolver sua inteligência.
Estude uma língua, faça um curso, leia um livro, ilustre-se.
Encante-se com as maravilhas que o cercam.
E utilize seus talentos em favor do próximo.

Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A parte que nos cabe




Certa vez ouvimos uma fábula que nos fez refletir acerca dos ensinamentos que continha. Tratava-se de um incêndio devastador que se abatera sobre a floresta.

Enquanto as labaredas transformavam tudo em cinzas, os animais corriam na tentativa de salvar a própria pele. Dentre os muitos animais, havia uma pequena andorinha que resolveu fazer algo para conter o fogo. Sobrevoou o local e descobriu, não muito longe, um grande lago. Sem demora, começou a empreitada para salvar a floresta. Agindo rápido, voou até o lago, mergulhou as penas na água e sobrevoou a floresta em chamas, sacudindo-se para que as gotas caíssem, repetindo o gesto inúmeras vezes. Embora não tivesse tempo para conversa fiada, percebeu que uma hiena a olhava e debochava da sua atitude. Deteve-se um instante para descansar as asas, quando a hiena se aproximou e falou com cinismo: Você é muito tola mesmo, pequena ave! Acha que vai deter o fogo com essas minúsculas gotas de água que lança sobre as chamas? Isso não produzirá efeito algum, a não ser o seu esgotamento. A andorinha, que realmente desejava fazer algo positivo, respondeu: Eu sei que não conseguirei apagar o fogo sozinha, mas estou fazendo tudo o que está ao meu alcance. E, se cada um de nós, moradores da floresta, fizesse uma pequena parte, em breve conseguiríamos apagar as labaredas que a consomem. A hiena, no entanto, fingiu que não entendeu, afastou-se do fogo que já estava bem próximo, e continuou rindo da andorinha. Assim acontece com muitos de nós, quando se trata de modificar algo que nos parece de enormes proporções. Às vezes, imitando a hiena, costumamos criticar aqueles que, como a andorinha, estão fazendo sua parte, ainda que pequena. É comum ouvirmos pessoas que reclamam da situação e continuam de braços cruzados. De certa forma, é cômodo reclamar das coisas sem envolver-se com a solução. No entanto, para que haja mudanças de profundidade, é preciso que cada um faça a parte que lhe cabe para o bem geral. Reclamamos da desorganização, da burocracia, da corrupção, da falta de educação, da injustiça, esquecendo-nos de que a situação exterior reflete a nossa situação interior. Não há possibilidade de fazer uma sociedade organizada, honesta e justa se não houver homens organizados, honestos e justos. Em resumo, para moralizar a sociedade, é preciso moralizar o indivíduo, que somos cada um de nós, componentes da sociedade. Se fizermos a nossa parte, sem darmos ouvidos às hienas que tentarão desanimar a nossa disposição, em breve tempo teremos uma sociedade melhorada e mais feliz.


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Em que sentido se devem entender estas palavras do Cristo: Meu reino não é deste mundo? Poderá jamais implantar-se na Terra o reinado do bem? Se você deseja saber as respostas destas duas perguntas, leia O livro dos espíritos, de Allan Kardec. O Espírito São Luís responde a estas e a outras tantas perguntas propostas pelo Codificador.



Redação do Momento Espírita.