quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ELES QUEREM FALAR DE SEXO




Crianças e adolescentes estão descobrindo a sexualidade e os limites do próprio corpo. Veja aqui como ajudá-los a enfrentar essa fase tão importante da vida sem mitos nem atropelos (tanto em casa como na escola) wrAutor ('Paola Gentile','','')




''Professora, por que a minha xereca pisca quando vejo um homem e uma mulher se beijando na televisão?''
A pergunta, feita por uma aluna de 8 anos para a orientadora educacional Dilma Lucy de Freitas durante uma aula para a 3ª série de uma escola particular de Florianópolis, poderia provocar diversas reações na professora. Se ela mostrasse espanto e indignação, por exemplo, as crianças deduziriam que sentir essas coisas deve ser anormal. Se fingisse não ter escutado, os pequenos achariam que é melhor não falar sobre o corpo (e, mais tarde, sobre a sexualidade). Dilma respondeu que o corpo recebe estímulos: um cheiro gostoso de comida faz a gente sentir vontade de comer e um vento frio faz a pele se arrepiar. Do mesmo modo, algumas imagens (como o casal que se beija) estimulam os órgãos sexuais e por isso a vagina se contrai ("pisca"). A aluna, satisfeita com a informação, foi brincar. Desde bebês, sentimos prazer em tocar o próprio corpo e descobrir as diferentes sensações que ele nos proporciona. Fingir que as crianças não passam por esse processo é negar a realidade. O sexo é parte da vida das pessoas (aliás, uma parte importante e muito boa) e é por essa razão que a escola e a família devem ajudar a construir nos pequenos uma visão sem mitos nem preconceitos. "Esse é um tema que envolve sentimentos e desejos e, portanto, não pode ser abordado só com explicações sobre o funcionamento do aparelho reprodutor e palestras médicas. A orientação sexual deve ser feita com afeto", afirma Antonio Carlos Egypto, psicólogo e coordenador do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS), em São Paulo. O constrangimento dos pais em tratar do assunto aumenta a falta de informação dos jovens e faz com que a escola se torne o principal espaço de educação sexual (vale lembrar que a orientação sexual é um dos temas transversais previstos nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN). Nesta reportagem, você vai encontrar histórias como a de Dilma - que ocorrem diariamente nas salas de aula do país - e saber como lidar com essas inquietações das crianças. Nos quadros que acompanham cada caso, a educadora sexual Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan, em São Paulo, sugere algumas boas práticas para adotar em casa e na escola. São dicas preciosas para todos os professores - de qualquer área do conhecimento - trabalharem com os estudantes no dia-a-dia e também para pais e mães interessados na boa formação de seus filhos. Se a escola tiver um programa de educação sexual, vale a pena conversar com os familiares sobre ele. Veja também a melhor postura em aulas sobre sexualidade e como dar orientação sexual para alunos com deficiência.


Para não quebrar o clima

Carole Henaff


As aulas sobre sexualidade são marcantes para os jovens, pois nelas eles aprendem a conhecer seus desejos, necessidades e afetos (e a lidar com eles). Sua postura ao tratar do assunto é muito importante. Por isso, os especialistas recomendam prestar atenção nos seguintes detalhes: Qualquer dúvida, por mais simples que pareça, é relevante e pertinente. Ouvir, mais do que falar, é a melhor conduta. Estimule o debate e deixe os estudantes tirarem as próprias conclusões. Caso alguém pergunte, sua opinião sobre o tema deve ser dada no final da discussão. Apresente informações científicas sempre que necessário, sem emitir juízos. Para não expor ninguém, o ideal é levantar dúvidas sem personalizar (os estudantes encaminham as questões por escrito ou produzem cartazes em que todos escrevem o que já sabem sobre determinado assunto). Perguntas sobre a conduta pessoal dos alunos são constrangedoras, pois pode parecer que você quer policiar as atitudes deles. Mantenha a discussão genérica, sem se intrometer na intimidade da garotada. Jogos e dinâmicas (além de discussões em pequenos grupos) favorecem a participação dos mais tímidos.Faça um "contrato" com a turma para garantir que tudo o que for discutido não será usado em comentários maldosos nos corredores nem para julgar os colegas. O respeito é o caminho para o bom aprendizado.


Homossexualidade

A chave é o respeito

Carole Henaff


O fato de um garoto apresentar trejeitos femininos ou uma garota gostar de carrinhos não significa que eles se tornarão homossexuais. Do mesmo modo, o menino que joga bola e a menina que brinca de boneca não necessariamente serão heterossexuais no futuro. Essa característica se define por volta dos 14 ou 15 anos, quando o jovem passa a se interessar sexualmente por outra pessoa. Juny Kraiczyk, psicóloga do Ecos Comunicação em Sexualidade, em São Paulo, diz que o papel do educador diante de manifestações contra a suposta homossexualidade de um estudante é discutir o respeito às diferenças e garantir a integridade física e moral dos jovens. Em parceria com a organização não- governamental Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor (Corsa), em São Paulo, o Ecos desenvolveu um curso de capacitação para prevenir a homofobia em 31 escolas da zona oeste de São Paulo. A professora de Artes Neide Aparecida Mackert fez o curso e, graças ao que aprendeu, conseguiu contornar uma situação difícil na Escola Estadual Marquês Visconde de Tamandaré, em São Paulo. Em sua turma de 2º ano do Ensino Médio, no ano passado, um garoto com voz mais fina, que tinha um estilo descolado de se vestir, era alvo de piadinhas maldosas. Num debate sobre homossexualidade, dois alunos não conseguiram ficar nos argumentos biológicos, psicológicos, sociais ou culturais e insinuaram com ironia que havia um gay na classe. Neide perguntou se era possível garantir, apenas pelas aparências, se uma pessoa é ou não homossexual. Todos entraram na discussão e foi possível falar de homofobia e estereótipos. Neide ensinou duas lições: a necessidade de respeitar as diferenças e de refletir sobre como sofre quem não tem o comportamento-padrão imposto pela sociedade. Na escola não seja cúmplice dos alunos nos comentários preconceituosos. Acolha e fortaleça os jovens que se isolam do grupo por ter comportamento diferente do padrão, elogiando seu trabalho sempre que possível. Promova um debate franco sobre a necessidade de respeitar as diferenças. Em casa se a maneira de seu filho se comportar foge aos padrões estabelecidos e isso incomoda você, deixe claro quais são os valores masculinos e femininos aceitos pela sociedade. Não se sinta desrespeitado se seu filho for homossexual. Quanto mais cedo ele for acolhido (se for o caso, também com a ajuda de uma terapia), menos problemas de auto-aceitação terá.


Masturbação

A descoberta do corpo erótico

Carole Henaff


A turma de 6ª série de Simone dos Santos Araújo, da Escola Estadual Professor Caran Apparecido Gonçalves, em São Paulo, estava entretida numa lição sobre répteis. Mas uma aluna estava incomodada. - Professora, os meninos da última fila estão agitados, fazendo uns barulhos... Sem se desviar do tema da aula, ela andou pela sala e percebeu dois garotos se masturbando. Ao se aproximar, eles tentaram disfarçar. Ela apoiou-se na carteira de um deles e comentou baixinho:- Sei que o que estão fazendo é gostoso, mas aqui não é o lugar adequado. Vocês não estão prestando atenção na aula e estão atrapalhando os colegas. Tudo bem parar agora?- Xi, professora, foi mau! Nunca mais os dois repetiram o comportamento na escola. E, algum tempo depois, ela conversou com a turma para resolver dúvidas sobre masturbação. Descobrir o corpo e como ele pode dar prazer (o corpo erótico) faz parte do desenvolvimento da criança. Ao perceber a sensação gostosa que o toque provoca, ela vai querer repetir o ato. Uma conversa como a de Simone - discreta, sem expor ou humilhar ninguém - ajuda a definir o limite entre o privado e o público, sem julgar o ato em si. Na maioria dos casos, o aluno ou a aluna se masturba por prazer, o que é absolutamente normal. Mas masturbar-se em público, obviamente, não é aceitável. Se isso se repetir com algum estudante, o ideal é conversar com a coordenação ou a orientação pedagógica para avaliar se é o caso de chamar os pais. "Proibir é lutar contra a natureza: o jovem vai masturbar-se escondido e acabar se sentindo culpado por não corresponder às expectativas dos adultos", afirma a consultora Maria Helena Vilela. Simone, de São Paulo, resolve as dúvidas dos alunos sobre masturbacão mostrando esquema do corpo feminino: questões dentro de uma bexiga, para não expor ninguém. Na escola se uma criança se masturbar na sala de aula, chame-a para outra atividade. Mais tarde, diga a ela que tocar nos órgãos sexuais é gostoso, mas não deve ser feito na frente dos outros. Caso o ato se repita depois de várias conversas, investigue as possíveis causas (micose, que provoca coceira, ou outro problema que a criança possa estar enfrentando).Em casaExplique a diferença entre o privado (aceitável quando se está sozinho) e o público (aceitável no convívio com outras pessoas). Caso a criança esteja se masturbando no quarto ou no banheiro, sem chamar a atenção de ninguém nem se expondo, não interfira. Se seu filho estiver se tocando na frente de outras pessoas, desvie a atenção dele para outra coisa e depois converse com ele a sós.


Meu corpo

Será que ele é igual a mim?

Carole Henaff


Quando pequenos, meninos e meninas começam a descobrir as características do próprio corpo. Por que os garotos têm "pipi" e as meninas, "xoxota"? E eles investigam mesmo. O coordenador pedagógico Marcelo Cunha Bueno, da Escola Estilo de Aprender, em São Paulo, afirma que a curiosidade é tanta que os pequenos se escondem debaixo das mesas ou procuram respostas ali mesmo, no meio da sala de aula. Uma vez ele viu dois garotos de 4 anos com as calças abaixadas conferindo se ambos tinham "pipi". Ele pediu que os dois se vestissem e fossem brincar no pátio. E explicou que é legal querer conhecer o corpo do outro, mas que aquela era hora de estudar. Por volta dos 2 ou 3 anos, depois que a criança já aprendeu a andar e a falar, a curiosidade (inclusive a sexual) vem à tona. É normal que, além de ver, ela queira tocar. Essa brincadeira não traz nenhum prejuízo físico ou psicológico. Não há erotização nesse contato e ele não deve ser interpretado como desvio de comportamento.Na escola a conversa sobre o que pode e o que não pode ser feito em público é sempre bem-vinda. Mostre figuras ou modelos do corpo humano e apresente o nome correto dos órgãos sexuais. Em casa se você não se incomodar em ver seu filho e outra criança da mesma idade nessa situação, deixe-os esgotarem a curiosidade. Logo eles partirão para outra brincadeira. Se não concordar, diga a eles que isso o incomoda e explique por quê.


Parceria de sucesso

Carole Henaff


As escolas com programas de educação sexual costumam comunicar os pais sobre a iniciativa antes de iniciar as aulas.Geralmente a idéia é bem acolhida. Mas muitas famílias temem que as conversas levem a uma iniciação precoce da vida sexual do adolescente, o que (obviamente) não é o objetivo do colégio. Por isso, nas conversas com os familiares, cabe aos professores:Mostrar que a educação sexual está prevista nos PCN e faz parte do projeto pedagógico. Enfatizar que o papel da escola é passar informações científicas e propiciar o debate de temas pertinentes à idade de cada turma, tentando com isso aplacar as angústias dos adolescentes em relação ao tema. Explicar que o objetivo maior é fazer com que os jovens tenham uma vida saudável e entendam o que acontece com eles quando os hormônios estão em ebulição. Deixar claro que os valores morais e religiosos da família não serão questionados em nenhum momento. Convidar os pais, sempre que possível, a participar de um bate-papo em sala de aula com os estudantes (eles podem contar como lidavam com a sexualidade quando eram adolescentes e, diante de um grupo grande de jovens, sem a pressão de estar "a sós" com o filho, ouvir os dilemas da moçada de hoje). Proporcionar atividades paralelas aos alunos cujos pais se oponham à participação do filho nas atividades de educação sexual.


Enfrentando os adultos

Em busca de mais informação

Carole Henaff


Rosa Cristina Albuquerque Pires, professora de Ciências da Escola Estadual de Educação Básica Irineu Bornhausen, em Florianópolis, tem o hábito de passar um paninho na mesa e na cadeira antes de começar suas aulas. Um dia, ao entrar na sala da 5a série, viu um pênis desenhado em sua cadeira. Mesmo assim, sem nada comentar, sentou-se. Foi o suficiente para os meninos começarem a gemer e a assobiar. Ela perguntou:- Vocês estão passando mal?- Não, professora! É que a senhora sentou...- Sentei onde?- No bilau... (gritos e gargalhadas)- Bilau rima com carnaval! (risos envergonhados). E depois, não sentei num pênis, mas em uma representação dele. Graças à experiência adquirida no contato com os adolescentes (e à capacitação oferecida pela Universidade Estadual de Santa Catarina), Rosa sabe que eles querem resolver alguma dúvida quando começam com essas gracinhas e supostas "provocações". Por isso, ela não hesita em mudar o programa. Pára a aula e verifica as necessidades da turma. "É o que chamo de educação sexual que não só informa mas também entende as angústias dessa fase da vida ." Naquele dia, a conversa, é claro, foi sobre relações sexuais: quando ter a primeira, se a menina pode transar menstruada etc. Todos escreveram suas questões num pedaço de papel, sem assinar, ou em um cartaz (assim, ninguém se expõe de forma desnecessária). O consultor Antonio Carlos Egypto destaca que muitas vezes o jovem age dessa maneira para mostrar ao grupo que consegue lidar com a sexualidade - o que raramente é verdade. Em outras palavras, ele quer descobrir se o adulto está ali para policiá-lo. "Se a classe perceber que o professor não tem jogo de cintura, fatalmente vai afrontá-lo." Tudo isso porque a moçada quer informação. No quadro-negro, os termos vulgares e os corretos para nomear os órgãos sexuais; nos cartazes, as dúvidas dos estudantes sobre sexualidade: assim, Rosa, de Florianópolis, consegue driblar as supostas provocacões da turma e, ao mesmo tempo, ensinar: "É uma educação que entende as angústias dos adolescentes"Na escolaAproveite as "provocações" para iniciar uma conversa sobre sexualidade. Não leve comentários dos alunos para o lado pessoal nem se sinta agredido por eles.Se alguns estudantes quiserem mostrar que conhecem "muuuuito" sobre sexo, tente outra abordagem: pergunte como os jovens agem hoje e conte como era na sua época. Entre um comentário e outro, você perceberá brechas para intervir com as informações necessárias. Em casa seu filho não age assim para agredir. Ele quer saber mais sobre o tema (ou conhecer a posição dos pais). Ouvir o jovem é a única maneira de identificar a razão do enfrentamento.

Gravidez e aids

O futuro em suas mãos

Carole Henaff


Carole Henaff


"O que eu vou ser quando crescer? Como será minha vida daqui a alguns anos?" Procurar respostas para perguntas como essas é uma maneira de os jovens se sensibilizarem sobre a importância de prevenir uma gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis, como a aids. Os adolescentes que se arriscam a ter um filho sem planejamento ou a contrair doenças graves geralmente não conseguem perceber que cuidar de si mesmo é o melhor jeito de evitar perdas no futuro. Em 1999, 27% dos partos realizados na Santa Casa de Ourinhos (SP) foram de mães adolescentes. No ano seguinte, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação iniciou o programa Prevenção Também se Ensina. Em 2005, a incidência de gravidez entre menores de 16 anos caiu quase à metade, baixando para17% os partos de mães adolescentes. A Escola Estadual Ari Correa é uma das que participam da capacitação. O professor de Ciências Ademar Francisco da Silva faz dinâmicas para debater os problemas de uma gravidez indesejada e as doenças causadas pelo sexo sem preservativos. Ele também leva para as salas de 7a e 8a séries camisinhas masculinas e femininas, cartelas de pílulas, pílulas do dia seguinte e DIU. Tudo para ensinar os jovens a usá-los corretamente. Dinâmica do farol feita por Ademar, de Ourinhos, para debater gravidez precoce com alunos de 7ª e 8ª séries: o que é perigoso, o que merece atenção e o que é permitido. Na escola Abra espaço para que todos pensem no futuro e projetem sua vida para daqui a cinco ou dez anos. Fale sobre métodos contraceptivos e como devem ser usados. Destaque a importância de prevenir a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis. Caso uma adolescente engravide, acolha-a para que ela não abandone a escola. Oriente a aluna grávida a procurar o serviço de saúde e mostre a importância dos exames pré-natais. E lembre que, durante a licença-maternidade, ela tem o direito de fazer as provas em casa. Em casa Conversar é sempre o melhor jeito de explicar a seu filho a importância de ser bem informado em questões de sexualidade. Admitir a sexualidade do filho e saber que ele está pensando em sexo já é um bom caminho. Negar isso é fechar as portas para o diálogo. Acolha sua filha se ela engravidar. Certamente ela vai ter muito mais dificuldades de lidar com um bebê sem o seu apoio.


Imitando adultos

Quero ser grande

Carole Henaff


Um ardente beijo na boca. Um casal deitado na cama trocando carícias sob o lençol. Corpos nus rebolando. Na televisão, imagens como essas são comuns. E as crianças pequenas são expostas a elas sem saber o que significam. O resultado é que elas acabam querendo imitar esses comportamentos. A professora da 1a série Ruth das Chagas Neves, da Unidade Integrada José Augusto Mochéu, em São Luís, enfrenta situações desse tipo diariamente. Para satisfazer a curiosidade da turma e iniciar um trabalho de educação sexual, ela leva para a classe bonecos sexuados que ajudam a mostrar as diferenças entre o corpo do homem e da mulher (os bonecos maiores, Gertrude e Gervásio, têm os órgãos sexuais móveis). Vários colegas de Ruth foram capacitados pela Plan Brasil e pelo GTPOS e hoje a escola mantém um trabalho permanente sobre sexualidade. Experiências de imitar os adultos podem levar a descobertas quando feitas em clima de brincadeira. Mas atenção: se a criança mostrar agressividade ou medo no contato físico, ela pode estar sendo vítima de abuso sexual. Mostre-se aberto a escutá-la para ter mais informações e procure a coordenação pedagógica ou a direção caso seja necessário. Alunos da professora Ruth, de São Luís, fazem os prórprios bonecos, inspirados na Família Colchete (ao fundo): brincadeira para entender o comportamento dos adultos e aprender sobre o corpo humano. Na escola Procure saber onde os pequenos viram o comportamento que estão imitando e o que eles sabem a respeito. Trate a imitação como uma atitude normal para a idade e aproveite para falar sobre sexualidade. Se a criança mostrar-se muito erotizada, chame os pais para tentar entender os motivos dessas atitudes. Em casa Preste atenção nas brincadeiras de seu filho e, caso ele esteja imitando comportamentos adultos, descubra onde ele presenciou aquilo. Verifique se os programas de TV que ele vê são adequados para a idade. Se os valores passados por determinado programa não forem os mesmos da família, assista junto com ele e explique por que tais comportamentos são reprováveis.


Hormônios em ebulição

Carinhos sem ter fim

Carole Henaff


No Colégio I. L. Peretz, em São Paulo, o namoro entre os alunos é visto como normal e saudável. Contudo, no ano passado, o romance entre uma garota da 7ª série e um menino do 1o ano do Ensino Médio mexeu com a escola. O jovem casal costumava procurar cantos isolados para trocar carícias tão calorosas que uma turma de 5ª série fazia fila para assistir. Na primeira conversa com a orientação pedagógica, os dois ouviram que não deveriam se esconder. A esperança era de que, em público, a atitude mudaria. Não foi o que ocorreu. Ao contrário, os amassos passaram para o pátio, a porta da escola, os corredores - e pais, alunos e funcionários ficaram incomodados com a situação."Os jovens estavam testando os limites", lembra o orientador educacional Bruno Weinberg. "Por isso, tivemos de deixar claro até onde eles poderiam ir." Sem partir para a repressão ou a proibição, ele explicou que as intimidades entre namorados são normais, mas que a escola não é lugar para isso. Para Maria Helena Vilela, o que faz o adolescente agir assim são as mensagens dúbias que ele recebe (seja da mídia e dos amigos, seja da família ou da escola). Por isso, o melhor é mesmo conversar e estabelecer o que os jovens podem fazer, onde e como. No Colégio Peretz, em São Paulo, os estudantes podem namorar, desde que respeitem algumas regras claras: limites definidos sem repressão nem proibição Na escola Discuta as regras com todos os professores e funcionários para que as mensagens sobre limites sejam coerentes. Deixe claro para os alunos o que é permitido e o que é proibido, explicando os motivos. Em casa Analise o que você suporta ou não dentro de casa. É direito dos pais controlar o comportamento dos filhos. Tenha disponibilidade para ouvir seu filho e construir as regras com ele.


A importância da inclusão

Carole Henaff


Pessoas com deficiências físicas, mentais ou sensoriais manifestam sua sexualidade tanto quanto os demais. O problema é que muitos os consideram "anormais" e, portanto, vêem essas atitudes também como anomalias, segundo o pesquisador Hugues Ribeiro, do Departamento de Educação Especial da Universidade Estadual Paulista em Marília (SP). Ele recomenda tratamento igual para todos, com abordagem adaptada ao tipo de deficiência do aluno.Com alunos com deficiência mental, é preciso tornar as informações mais acessíveis e repeti-las várias vezes usando linguagem simples, material concreto ou exemplos. Caso um aluno insista em passar a mão nos colegas, por exemplo, fale que isso não pode ser feito sem a concordância da outra pessoa e que existem situações em que o toque é permitido e outras em que não. Para facilitar a compreensão, mostre gravuras de cenas do cotidiano e pergunte em quais tocar é permitido. No consultório, o médico pode examinar o paciente? E no ônibus, um passageiro pode passar a mão nos outros? Entre dois namorados isso é aceitável? E com os colegas da escola?Geralmente quem tem deficiência física apresenta auto-estima corporal baixa por não se enquadrar no "padrão de beleza". Falar do corpo, para eles, costuma ser difícil. Ajude- os contando histórias de pessoas com deficiência que se realizaram pessoal e profissionalmente. E adapte as atividades de sala de aula para incluí-los.Alunos com deficiência visual precisam de material concreto para manipular, como modelos dos órgãos sexuais e esquemas em alto-relevo. Já quem tem deficiência auditiva nem sempre consegue explicar suas dúvidas para o educador, que muitas vezes tem dificuldade para transmitir as informações a eles. A solução é usar muitas figuras, diagramas e esquemas para facilitar a visualização e a assimilação dos conteúdos.


Quer saber mais?


Dilma Lucy de Freitas, dlfreitas@terra.com.br
BibliografiaAdolescência: O Despertar do Sexo, Içami Tiba, 216 págs., Ed. Gente, tel. (11) 3670-2500, 28,90 reaisA Educação Sexual da Criança, Cesar Nunes e Edna Silva, 144 págs., Ed. Autores Associados, tel. (19) 3289-5930, 16 reaisO Anjo e a Fera: Sexualidade, Deficiência Mental, Instituição, Alain Giami, 203 págs., Ed. Casa do Psicólogo, tel. (11) 3034-3600, 25 reaisSexo, Prazeres e Riscos, Antonio Carlos Egypto, 94 págs., Ed. Saraiva, tel. (11) 3613-3030, 27,90 reaisSexo se Aprende na Escola, Marta Suplicy e outros, 119 págs., Ed. Olho d'Água, tel. (11) 3673-1287, 24 reais
MAIS INFORMAÇÕES NO BLOG: CHEGADESOFRERCALADO

5 comentários:

Jeanne disse...

Aleluia! pensei que tinhas desistido do blog.
li parte do teu post pq me interessa, trabalho com crianças na evangelização, e pode acontecer alguma pergunta, embora não seja o caso, tenho que estar prevenida.
Salvei para ler depois, tem muita coisa pra ler tudo de uma vez só...
beijos

Adriana disse...

Oi Maria Fernanda!

Que saudades de vc! Bom receber tua visita! Volta sempre, tá? Continuo perseverando na divulgação da mensagem espirita, meu blog esse mês fez um ano, espero poder coninuar por muito tempo...

Nossa, esse teu post foi muito bom, tantas informações, com certeza muito úteis para todos, não só para os que trabalham de alguma maneira com crianças, mas para todos que convivem com elas. É fundamental saber como agir, pois, dependendo da reação dos adultos em determinadas situações, pode-se criar traumas difíceis de reverter.

Beijos!!!

Tânia Defensora disse...

Oi Fernandinha!
Gostei da pergunta da aluninha: porque minha xereca pisca?kkkk
É preciso ter preparo para responder esse tipo de pergunta né?
Beijoca

Cristiane A. Fetter disse...

Engraçado, eu sempre pensei assim, se a criança pergunta é porque quer resposta e se você responder de forma direta e em uma linguagem direcionada para ela, a dúvida acaba, o mistério também e ela volta a ser criança, exatamente como aconteceu com esta menina.
Mas o tabu de comentar sobre sexo com crianças é muito grande, até porque os pais foram criados assim.
Eu tive sorte, meus pais apesar de não terem muito estudo sempre foram diretos e eu tive uma infancia muito tranquila e sem os "mistérios".
Ótimo post Fernanda.
Beijocas

Renata Emy disse...

Nem quero imaginar qdo chegar minha vez de responder essas perguntinhas... =P